Deonilson Roldo é exonerado do governo após divulgação de áudio suspeito

A governadora do Paraná Cida Borghetti determinou no início da noite desta sexta-feira (11) a demissão de Deonilson Roldo do cargo de diretor de Gestão Empresarial da Copel. Roldo que recentemente foi chefe de gabinete e Secretário de Comunicação do governo Beto Richa foi flagrado fazendo um acordo para lá de suspeito. Um áudio divulgado pela revista Isto É e pela Veja, indica que Roldo teria intermediado um acordo para favorecer a Odebrecht em uma obra no Paraná.

De acordo com a reportagem desses veículos, no diálogo, Deonílson Roldo, tenta convencer Pedro Rache, diretor-executivo da Contern, construtora do grupo Bertin, a desistir da licitação para duplicação da PR-323, pois a obra já estaria prometida para a Odebrecht, em um valor que superaria R$7 bilhões de reais. Rache é o autor da gravação, feita em 2014 em pleno Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná.

No áudio, Deonílson Roldo, fala que há um “compromisso” firmado para que a empreiteira seja responsável pela obra, a duplicação de mais de duzentos quilômetros da PR-323, no norte do estado. No diálogo, Roldo sugere que a empreiteira dispute a licitação como “cobertura”, ou seja, que entre no processo com um preço maior que o da Odebrecht para perder a disputa propositadamente. Em troca, o Grupo Bertin teria ajuda para vender parte do complexo de usinas termoelétricas de Aratu, na Bahia, para a Copel, estatal paranaense de energia. Vale ressaltar que Roldo ocupava atualmente, após deixar a Secretaria de Comunicação, uma pasta estratégica da Copel.

Em determinado momento, Roldo pergunta se a Contern tem interesse em participar da licitação da rodovia. Rache responde que sim. O projeto do governo da pista que ligaria Maringá a Francisco Alves, em uma das regiões mais desenvolvidas do estado, era ambicioso: transformar os cerca de 220 quilômetros de pista simples, esburacada e mal sinalizada em uma rodovia modelo, de pista dupla, com 41 viadutos, pistas secundárias e marginais.

Para isso, um investimento de mais de 7 bilhões de reais seria feito. O investimento bilionário viabilizaria a principal obra viária da gestão Richa e seria um trunfo eleitoral para ele e seu grupo. Ao demonstrar interesse na disputa, Rache diz que a Contern vinha estudando o edital e contava com uma força de trabalho de 6.000 homens e 900 equipamentos que tinham sido utilizados no Rodoanel e estavam prontos para serem  postos em ação no Paraná.

Acordo

Roldo explica que o governo do estado já tem “um compromisso” para a obra. “Queria ver até onde a gente pode entrar nesse compromisso, digamos, respeitado”, ressalta. O chefe de gabinete do governador vai além. Pergunta para o executivo se ele pode servir como “cobertura” para a Odebrecht (a beneficiária do compromisso) na rodovia. Em troca, ele promete intervir em um segundo negócio de interesse do Grupo Bertin, dono da Contern.

Da redação com informações da Veja Paraná

Crédito foto: Reprodução RPC TV

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