Dólar começa agosto em leve alta em meio à cautela com cenário político

Por Altamiro Silva Junior, Estadão Conteúdo

Após cair pela manhã e começo da tarde, com a entrada de recursos do exterior, o dólar acabou terminando o primeiro pregão de agosto em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 3,7589. A principal expectativa para a quarta-feira, 1, a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), acabou não trazendo maiores novidades, sinalizando que a elevação dos juros na maior economia do mundo seguirá de forma gradual. Operadores ressaltam que o cenário político segue no radar e ajudou a manter o tom de cautela no mercado de câmbio na parte final da tarde. No exterior, o dólar teve comportamento misto ante moedas de emergentes, subindo ante a lira turca e o peso argentino e caindo ante a divisa da África do Sul e do México.

O Ibope divulga pesquisa com eleitores do Estado de São Paulo na sexta-feira, 3, e o final de semana marca o fim das convenções nacionais, com PT, PSDB e MDB fazendo seus encontros. O Broadcast apurou que o PSB pode anunciar apoio ao PT, mais um revés para Ciro Gomes (PDT), que disputava o apoio do partido. Operadores ressaltam ainda que a cautela do mercado é reforçada pela declaração hoje do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que afirmou considerar “ideal que a Corte decida ainda em agosto” sobre o pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O mercado está cauteloso com a política”, disse o operador da H Commcor Cleber Alessie Machado Neto. “Pela manhã houve um fluxo vendedor, mas o mercado logo se ajustou”, completou. O dólar abriu em alta, em meio a dados do mercado de emprego melhores que o previsto nos Estados Unidos, e com isso bateu máxima logo cedo, a R$ 3,77. Mas a entrada de fluxo externo fez a moeda virar e registrar mínima, a R$ 3,7315, também pela manhã.

Para o economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini, a tendência para o curto prazo é de valorização do dólar no Brasil, influenciado pelo cenário externo mais adverso, com tensão comercial, pela incerteza com as eleições e o baixo diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos. Para ele, o Banco Central só deve voltar a subir os juros por volta do segundo trimestre de 2019, mantendo a Selic até lá. Hoje, o BC decidiu manter os juros em 6,5%.

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