Dólar segue em alta pelo 4º dia com guerra comercial, Fed e eleição

Por Silvana Rocha, Estadão Conteúdo

O dólar segue em alta no mercado doméstico na manhã desta quinta-feira, 2, pela quarta sessão seguida. Os ajustes domésticos precificam a valorização da moeda americana ante euro, libra e divisas emergentes ligadas a commodities no exterior em meio a um movimento de busca de proteção por conta da retomada da aversão ao risco com a guerra comercial. Por isso, o iene também sobe ante o dólar, uma vez que é considerada uma moeda de proteção.

A demanda pela divisa americana é induzida pela visão mais otimista do Federal Reserve (Fed) sobre a economia dos EUA, ao dizer nesta Quarta (1) que o crescimento econômico tem aumentado e que o mercado de trabalho continuou a se fortalecer.

Além disso, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, afirmou ontem que o presidente americano, Donald Trump, determinou que o Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) considere um possível aumento na alíquota de uma tarifa sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses de 10% para 25%. Na manhã desta quinta, a China disse que poderá retaliar, se necessário, para defender seus interesses.

Na Europa, pela manhã, o Banco da Inglaterra (BoE) elevou sua taxa básica de juros, como era amplamente esperado, de 0,50% para 0,75%. A libra se enfraqueceu, mas só renovou mínima ante o dólar durante a entrevista coletiva do presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, que reforçou o gradualismo em relação aos próximos aumentos de juros.

Carney demonstrou preocupação em torno do processo de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), ao afirmar que o BC britânico está preparado para responder a uma margem “ampla” de cenários possíveis, inclusive os mais improváveis, como uma saída desorganizada da UE.

No Brasil, o cenário eleitoral segue no radar, nesta véspera de divulgação de pesquisa Ibope/TV Bandeirantes nesta sexta-feira, 3. Apesar da declaração do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, de que o ex-presidente Lula está inelegível, o que agrada aos investidores, o mercado segue na defensiva.

O advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, que integra a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que concorda com as declarações de Fux, de que Lula está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, mas ressaltou que a inelegibilidade de Lula é provisória e pode ser afastada por meio de uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do Supremo Tribunal Federal (STF).

A expectativa é de que o STF poderá julgar o pedido de liberdade do ex-presidente Lula até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas no TSE, apurou o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Depois que o relator do pedido, ministro Edson Fachin, liberar o caso para julgamento, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, irá pautar o processo imediatamente. A última sessão plenária antes do dia 15 acontece na quinta-feira da próxima semana, em 9 de agosto.

Às 9h30 desta sexta, o dólar à vista subia 0,39%, aos R$ 3,7735. O dólar futuro de setembro estava em alta de 0,65%, aos R$ 3,7865.

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