Peres ataca ‘fogo amigo’ de Rollo e diz que sócios vão rejeitar impeachment

Foto: Ivan Storti/Santos FC

Por Estadão Conteúdo

O presidente José Carlos Peres aproveitou a entrevista coletiva de apresentação do atacante Felippe Cardoso, nesta quinta-feira, para comentar a crise política no Santos, que culminou na aprovação de pareceres a favor do seu impeachment pelo Conselho Deliberativo, na última segunda-feira. Com o seu destino nas mãos dos sócios santistas, em votação marcada para 29 de setembro, o dirigente voltou a atacar Orlando Rollo, o seu vice-presidente.

Peres declarou que foi traído por Rollo, o seu sucessor caso o impeachment seja aprovado. E declarou que o vice-presidente vem extrapolando as suas funções e até mesmo agindo contra o Santos. “Eu não esperava ter um fogo amigo que me espetou desde o primeiro dia”, disse Peres. “É um boicote diário”, reclamou o dirigente, indicando que vai dar o tom de disputa entre ele e Rollo na votação do seu processo de impeachment.

Apesar do Conselho Deliberativo do Santos ter votado a favor da destituição de Peres, Peres assegurou que tem esperanças de seguir à frente do clube. Ele prometeu uma campanha intensa para receber o apoio dos sócios e assegurou que vem recebendo sinais positivos de torcedores do clube.

“Estamos preparando uma campanha. As redes estão falando por si só, apoiando a presidência. Quando você assume o clube, você tem dois caminhos: relaxa, deixa roubar e contratar todos os amigos. O outro caminho é você ser mais odiado da história, mas deixar um outro Santos”, disse, afirmando ter contrariado interesses escusos nos últimos meses.

Embora tenha atacado Rollo, Peres também indicou buscar apoio político no Santos. Ele avaliou que o clube precisa de paz, mas avisou que isso não vai acontecer se o impeachment for aprovado. “Eu quero dar a mão para o conselho. O Santos precisa de união e paz, como diz o Cuca. Mas com o impeachment não terá união nem paz”, comentou.

Peres também indicou que poderá levar à Justiça o seu processo de impeachment. Pelas suas contas, os dois terços de votos para aprovação do parecer só foram alcançados porque a presença dos membros da Comissão de Inquérito e Sindicância na reunião do Conselho Deliberativo do Santos deixaram de ser computados.

“Você é obrigado a ouvir alguém dizer pra você: ‘o estatuto é confuso’. O estatuto não é confuso, basta ler. Eu passo pra vocês. Está claro que é sobre os presentes. Eles tiraram seis conselheiros, pegaram a varinha mágica e disseram: ‘vocês não estão aqui’ e fizeram a conta com 242”, reclamou.

Peres foi eleito para a presidência do Santos em dezembro de 2017, para um mandato de três anos. Na segunda-feira, na votação dos membros do Conselho Deliberativo do Santos, dois processos de impeachment de Peres foram aprovados. O primeiro contou com votos de 242 membros do clube, e terminou com 165 votos a favor do prosseguimento do caso, 74 contra, dois nulos e um branco. No segundo, foram 239 votos, com 164 favoráveis, 72 contra, dois nulos e um branco.

Em um dos processos, a principal acusação envolvia a empresa Saga Talent, de agenciamento de atletas, que tinha Peres como sócio quando ele assumiu a presidência do Santos. O dirigente alegou que a empresa só existia no papel, não fazendo negócios há anos.

Já a outra acusação versava sobre portaria editada por Peres e que definia que todas as contratações realizadas pelo Santos deveriam ser determinadas pelo presidente, o que contrapõe o Comitê de Gestão do Santos, principal órgão administrativo do clube.

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