Mulher da a luz aos 90 anos de idade

Desde a os primórdios da criação humana acredito que não consta na história uma outra mulher que tenha dado a luz com idade tão avançada. O que a própria natureza ensina é que a mulher termina o seu período fértil muito antes desta idade, ou seja, por volta dos 40 ou 50 anos. No entanto o povo Judeu, para aqueles que conhecem a história, foi gerado a partir desta senhora de 90 anos ter dado a luz.

Sim, trata-se de Sara mulher de Abraão que pela benção Divina acabou gerando a Isaque, que gerou a Jacó, que veio a gerar os doze filhos que formam as doze tribos de Israel e que está escrito na Santa Palavra de Deus a Bíblia Sagrada. Acompanhem o desenrolar desta maravilhosa história, se você ainda não conhece com certeza irá se apaixonar:

Sara tinha 65 anos, a idade que muitas de nós se aposenta, quando partiu em viagem para um território espiritual desconhecido. Ao deixar para trás sua terra natal, ela e o marido, Abraão, partiram para centenas de quilômetros, em direção ao sul, até Canaã, uma terra fértil de promessas feitas por Deus, mas sem nada que amassem e que lhes fosse familiar. Deus prometera aquela terra a Abraão e a seus descendentes. Dele não seria gerada apenas uma família, um clã ou uma tribo, mas uma nação inteira, um povo que pertenceria a Deus como nenhum outro antes.

A promessa espalhou-se como os círculos que se formam ao ser atirada uma pedra na água. Se Abraão seria o pai de uma nova nação, então Sara seria certamente a mãe. Ela, porém, ansiava por dar à luz não a uma nação, mas a uma criancinha que pudesse beijar e embalar em seus braços.

No início, Abraão e Sara acharam difícil sustentar a si mesmos, muito menos a uma família, em sua nova terra. Em breve, uma fome na região tornou a vida tão difícil que tiveram de mudar-se para o Egito, onde Abraão, com medo do faraó, sugeriu uma manobra enganosa para salvar sua vida. “Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida”. (Gn 12:11-13)

Sara atendeu ao pedido de Abraão e faraó em breve a acrescentou a seu harém de mulheres bonitas. Pelo privilégio, pagou a Abraão, na moeda de época, certa quantidade de ovelhas, bois, jumentos, camelos e servos. Mas, embora os dois homens parecessem satisfeitos com o acordo, Deus não se agradou disso e começou a atacar a faraó e toda a sua casa com doenças. O rei egípcio chamou Abraão, pedindo que se explicasse. Quando soube a verdade, permitiu que Sara e Abraão partissem, levando com eles todas as riquezas que haviam adquirido no Egito.

O casal mudou-se, então, outra vez. Vários anos se passaram desde que Abraão e Sara ouviram a notável promessa de Deus, mas ainda não tinham um filho. Assim, Sara decidiu resolver o assunto por conta própria. Seguindo uma prática comum no mundo antigo, deu permissão a Abraão para deitar-se com sua serva egípcia, Agar. A escrava de Sara se tornaria uma mãe substituta para o filho prometido. Ismael nasceu não muito tempo depois, mas a criança só provocou discórdia entre as duas mulheres.

Certo dia, o Senhor apareceu a Abraão, enquanto ele estava sentado à entrada da sua tenda.
– Sara, tua mulher, onde está?
– Está aí na tenda.
Disse então o Senhor:
– Certamente voltarei a ti, daqui a um ano; e Sara, tua mulher, dará à luz um filho.
Sara, que estivera escutando de dentro da tenda, riu e disse:
– Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda este prazer?
Disse, porém, o Senhor a Abraão:
– Por que se riu Sara, dizendo: Será verdade que darei à luz, sendo velha? Acaso para o Senhor há cousa demasiadamente difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho.
Por ficar com medo, Sara mentiu e respondeu:
– Não me ri.
Deus, porém, disse:
– Não é bem assim, é certo que riste.
Um ano depois, Sara deu à luz Isaque, cujo nome significa “riso”. É claro que a mãe de 90 anos compreendeu a brincadeira e exclamou: “Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente comigo” (Gn 21:6)

O bom humor de Sara, porém, durou pouco. Farpas novamente começaram a ser lançadas entre as duas mães e Sara forçou Agar e Ismael a saírem da casa de Abraão, deixando-os peregrinar no deserto. Embora Deus cuidasse dos dois exilados, sua promessa de uma nova nação e de um libertador para o seu povo seria cumprida através de Isaque.
Sara morreu com 127 anos e foi sepultada em Hebrom. Entre o nascimento de Isaque e a morte de Sara houve um intervalo de 37 anos, tempo suficiente para que refletisse na aventura de sua vida com Deus. Ficou envergonhada do tratamento que dispensou a infortunada Agar? Lembrou-se de ter rido quando Deus disse a Abraão que teria um filho aos 90 anos? Tinha ideia de que um dia seria reverenciada como mãe de Israel, símbolo da promessa, assim como Agar se tornaria símbolo da escravidão sob a lei? As Escrituras não dizem nada sobre isso, mas é animador saber que Deus realiza seus propósitos apesar das nossas fragilidades, de nossa pequena fé, de nossa auto-suficiência obstinada.

As tentativas práticas de Sara para ajudar Deus a cumprir sua promessa causaram realmente muita angústia. (Mesmo em nossos dias, o conflito entre Israel e seus vizinhos árabes é devido àquela antiga briga entre as duas mulheres e os filhos por elas gerados.) Entretanto, apesar do ciúme, ansiedade e ceticismo sobre a capacidade de Deus para cumprir suas promessas, não se pode negar que Sara era capaz de aceitar riscos de primeira ordem, pois se despediu de tudo o que lhe era familiar, viajando para uma terra completamente desconhecida. Uma fina dama de carne e osso, que viveu uma aventura mais emocionante do que qualquer heroína de conto de fadas, a qual começou com uma promessa e terminou com riso.

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