Pombos

Antes de mais nada, vamos entender que existem no mínimo duas categorias de pombos, em nosso país: os nativos (carijó, saleira, do mato, taquara, juriti, margosa, rolinha…) e os exóticos (quaisquer não nativos do país, notavelmente o pombo romano). Há algumas décadas, somente os pombos romanos frequentavam os centros urbanos. Com o desmatamento, espécies menos tímidas, como juritis e rolinhas, começaram inicialmente a frequentar bairros calmos de cidades do interior, ainda que em pequeno número. Mas pombas nativas não são nem remotamente tão perigosas como os pombos romanos. Estes, sem qualquer timidez, até agressivos, não somente se destacam pela ousadia na aproximação a humanos, mas também pelas doenças que transmitem.

Entre as doenças mais comuns, estão a clamidiose, a clostridiose e a salmonelose. As três são causadas por bactérias (clamidiose e salmonelose, gram-negativas clostridiose, gram-positiva) e causam grandes perdas à produção de aves domésticas (como frangos e perus), além de poderem contaminar humanos. São transmissíveis tanto pelo contato direto com excreções de aves contaminadas, como pelo contato indireto (objetos contaminados), ou pela ingestão de alimentos contaminados. Com frequência, aves domésticas são contaminadas por aves silvestres que pousam sobre suas gaiolas, ou vêm alimentar-se no mesmo comedouro, especialmente no caso de clamidiose e clostridiose, também contraídas por contato com secreções de aves contaminadas. Ainda, a salmonela está presente em órgãos internos, ovos e embriões de aves doentes. Os sintomas são muito variados e dependem da imunidade do animal que contrai a doença. Em linhas gerais, a clamídia ataca mais os olhos, enquanto a salmonela e o clostridium preconizam o aparelho digestivo.

Mas há doenças menos frequentes que são muito preocupantes. No dia 18 de outubro deste ano, o Ministério da Agricultura (MAPA) publicou o memorando-circular n. 61/2018/DAS/DAS/MAPA, direcionado às Superintendências, relatando ocorrências PPMV-1 (Paramixovirose de Pombos, sorotipo 1) em aves silvestres neste ano, uma em março, no Recife (PE), e outra em julho, em Juazeiro (BA). Trata-se de uma doença parecida com a Doença de New Castle (DNC) exótica (forma mais grave conhecida), mas ainda mais severa, provocando mortandade de bandos inteiros de aves. Segundo o MAPA, aves comerciais não foram afetadas; mas sabemos que, havendo focos de mortandade silvestre, precisamos redobrar a atenção. Medidas de biosseguridade podem ser orientadas por médicos veterinários. Os sintomas em aves são amplos e envolvem principalmente o sistema nervoso e o aparelho respiratório, ainda que também o digestivo. Felizmente, em humanos o quadro mais grave até então atribuído a essa doença é o de conjuntivite.

Os pombos romanos são uma praga urbana que precisa ser resolvida. Bem verdade que até por isso nos lembram os corruptos do nosso país: comprometem a saúde do nosso povo! Praga é praga, sujeira é sujeira, não importa o nome. Precisamos nos livrar das pragas urbanas.

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