Ballet Paraisópolis é premiado em Festival de Joinville

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(EBC) O Ballet Paraisópolis, projeto desenvolvido em uma das maiores comunidades carentes de São Paulo, foi premiado na edição deste ano do Festival de Dança de Joinville, considerado o maior evento de dança do mundo em número de participantes. Ao todo, três coreografias foram selecionadas e premiadas, todas na categoria júnior.

“Tivemos três coreografias classificadas para a mostra competitiva e todas elas foram premiadas com dois primeiros lugares e um terceiro lugar”, disse Jorge Andreatta, produtor executivo do Ballet Paraisópolis, em entrevista esta semana à Agência Brasil.

“Estamos completando sete anos de projeto e estamos colhendo alguns frutos que foram plantados ao longo desse processo. Tivemos esses resultados que foram incríveis para nós, para os alunos. Isso traz uma repercussão muito boa para nosso trabalho e também uma visibilidade artística, social e profissional”, falou.

Os trabalhos do Ballet Paraisópolis aprovados para a Mostra Competitiva na categoria júnior reúnem o solo contemporâneo Tão Próximo (2019), do coreógrafo Christian Casarin, e dois conjuntos, sendo um deles neoclássico – Oníricos (2019), da coreógrafa Carol Segurado – e outro contemporâneo – Airis Process (2017), da coreógrafa Danielle Rodrigues.

“Airis Process é uma coreografia que fala sobre a guerra na Síria. É uma coreografia muito forte. Os alunos estão com figurinos rasgados, de guerra. Utilizamos também algumas projeções com escombros de fundo – e todo nosso cenário foi composto por varas de luz. Essa coreografia ganhou o primeiro lugar”, disse Andreatta.

Outra coreografia premiada na competição foi o solo contemporâneo Tão Próximo, apresentado por David Rocha, 14 anos. “Essa coreografia fala da transição do homem no século 21, sobre as decisões, sobre os caminhos que ele vai trilhar”, explicou o produtor.

A terceira coreografia premiada foi Oníricos, um conjunto neoclássico que conquistou o terceiro lugar na mostra competitiva apresentando a forma como se caracteriza um indivíduo imaginativo e criativo, uma vez que se costuma dizer que uma pessoa desligada da realidade vive em um mundo onírico.

Participação

Este ano, 16 bailarinos do Ballet Paraisópolis se classificaram para participar do festival. Foi a primeira vez que os grupos júnior e sênior do projeto foram classificados juntos para o evento, com três coreografias aprovadas para a mostra competitiva e 20 para o palco aberto.

O projeto já havia participado do Festival de Joinville em outras duas oportunidades. A primeira delas, em 2017, quando David Rocha Santos, então com 12 anos, conquistou o terceiro lugar no evento Meia Ponta, categoria infantil, com a variação clássica Paysant – I Ato Ballet Giselle.

No ano seguinte, Luiz Fabiano Lima Dias, também de 12 anos, ficou com o segundo lugar na mostra competitiva, na categoria júnior, com o solo contemporâneo Libertar-se.

Este ano, o grupo ainda deve ir à Nova York, onde os alunos vão participar de aulas com companhias e farão apresentações na cidade. Também haverá várias apresentações no Brasil – entre elas, no Auditório Ibirapuera, em novembro.

O projeto social e profissionalizante desenvolvido em Paraisópolis conta com um total de 200 alunos e mais de 2 mil pessoas na fila de espera. A faixa etária, segundo o produtor, está entre 13 e 17 anos.

O projeto

Fundado em 2012 pela bailarina, professora e coreógrafa Monica Tarragó e por Gilson Rodrigues, da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, o Ballet Paraisópolis tem como proposta atender crianças e jovens na comunidade, incentivando-os na busca por melhores oportunidades de vida por meio do ensino da dança clássica e contemporânea.

Para fazer parte do projeto, as crianças devem morar na comunidade e estar estudando. As aulas são gratuitas. O curso tem duração de oito anos, mas, a cada ano, são feitos exames de seleção de alunos para entrada no projeto. “Vamos trazendo essa concepção de que a dança é profissão e pode trazer novas oportunidades. Mas uma coisa muito importante que falamos para eles [alunos] é que esse é um trabalho de formação. Além de se tornarem bailarinos, estamos formando cidadãos”, explicou Andreatta.

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