Impeachment de Trump

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Foto: Isac Nóbrega/PR

O Congresso dos Estados Unidos começou uma investigação sobre o comportamento do presidente Trump que pode levar a um impeachment. As ações de impeachment são longas e traumatizantes. Tem um profundo impacto na economia do país. Precisam ser aprovadas na Câmara de Deputados com mais de 50% dos votos e no Senado por dois terços.
Como os Estados Unidos estão à beira de uma recessão esse evento pode ser um gatilho para grandes ajustes na economia mundial. Toda a crise da Europa com o Brexit ficou de lado. Os holofotes se voltaram para o Congresso dos Estados Unidos. A opinião pública norte-americana foi pega de surpresa. Ações de impeachment lá são mais raras que aqui. O ex-presidente Nixon foi levado a renunciar, em 9 de agosto de 1974, antes que a ação de impeachment fosse votada na Câmara de Deputados.
O resultado das investigações é difícil de prever. As consequências imediatas é a perda de poder do presidente Trump. As negociações com a China devem entrar numa fase de banho-maria. O que deve fortalecer as nossas relações com a China.
As decisões econômicas devem se acelerar, mundo afora. A recessão na Europa deve se intensificar. O valor das ações dos bancos deve cair. Os bancos mais frágeis devem fechar as portas. O aumento do desemprego é inevitável. Para a Europa a crise econômica de 2019 deve ser pior do que a de 2009. Muito dos ajustes no sistema financeiro necessários em 2009 foram varridos para debaixo do tapete. Agora terão que ser feitos. Muitos bancos não têm capital suficiente para continuarem operando. A quebra de vários bancos vai impor uma reforma no sistema bancário europeu. Quem primeiro vai sentir a crise será a Inglaterra, o processo do Brexit já fragilizou bastante a sua economia e os seus bancos.
Um segundo termômetro para uma crise econômica é o preço do petróleo, que subiu por volta de 10% após aos ataque às refinarias da Arábia Saudita. Os Estados Unidos enviaram tropas para protegerem as refinarias sauditas. Um confronto entre os terroristas do Iêmen e os Estados Unidos ficou mais próximo.
Quem deve dar as cartas agora é a China. Os acordos comerciais da China com o Brasil devem se intensificar bastante. A visita do Bolsonaro, agora em outubro, será um termômetro desse novo quadro político. Uma intensificação das compras chinesas vai elevar o preço das nossas commodities agrícolas. O que é ótimo para a nossa economia é péssimo para os agricultores norte-americanos que já estão muito fragilizados.
Uma quebra generalizada de bancos norte-americanos evolvidos com o agronegócio é iminente. Na semana passada o FED, Banco Central deles, teve que fazer maciças intervenções para manter os negócios interbancários funcionando. Alguns bancos já não dispunham de crédito no mercado diário interbancário. As taxas de juros diárias chegaram a explodir, antes da intervenção do FED. Por quanto tempo alguns bancos vão ser socorridos pelo FED é difícil dizer. A situação de vários bancos norte-americanos inspira cuidados.
A tendência das bolsas de valores da Europa e dos Estados Unidos é despencarem. A brasileira também vai ser arrastada. A magnitude das quedas é incerta. O crédito para as empresas no Brasil vai ter uma redução. O agronegócio vai continuar bombando, por causa das compras chinesas. Tudo mais vai entrar em compasso de espera.
Nesta crise a pressão da opinião pública sobre o Congresso Nacional deve se intensificar. As reformas propostas pelo governo devem dar um andamento mais acelerado. A imagem do Congresso é muito ruim. As redes sociais desmascaram as ações de retardamento das reformas e de contenção das investigações da Lava Jato. A quantidade de parlamentares investigados pela Polícia Federal é muito grande.
O clima mundial de incerteza favorece as reformas estruturais. As transformações ocorrerão em todos os países. No Brasil elas se intensificarão. O apoio popular ao governo Bolsonaro deve aumentar, apesar da sua ligação direta com o presidente Trump.

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