O alto custo de um deputado e a busca de um novo Congresso 0/5 (1)

Terminou na última quarta-feira (09/05) o prazo para a regularização do título eleitoral no Paraná e em Curitiba quem deixou para os últimos dias enfrentou filas enormes no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR). Para esses que sofreram na fila e para quem estava regularizado, com o título eleitoral guardado, o momento agora é refletir em quem votar nas eleições em outubro desse ano. Qual político merece teu esforço de ter esperado por horas e horas em uma fila para ter o direito de receber o seu voto na urna? Qual candidato merece sua confiança e que pode, com projetos de lei, requerimentos e humildade em ouvir suas sugestões, fazer algo para beneficiar sua cidade e lutar realmente pelo bem comum, com melhorias na Saúde, Educação e Segurança?

Em meio a escândalos diários de corrupção, a análise do caráter, histórico e capacidade do candidato para ocupar um cargo de tamanha relevância deve ser criteriosa para que esse ciclo repugnante de roubalheira tenha um fim.  E mais. Se considerar o que eles têm direito a receber pela função, o eleitor tem que ter plena confiança para transformar seu voto em um verdadeiro cheque em branco para o candidato. E para qual político, por exemplo que vai concorrer a uma cadeira para deputado federal, você daria esse cheque em branco?

No momento do voto, o eleitor vai permitir que aquele candidato receba um salário de R$33.763 reais por mês. Essa é a grana mensal que um deputado federal recebe – quase 30 vezes superior a um salário mínimo. Porém, no sistema distorcido da política brasileira, essa polpuda remuneração não é a única que o deputado recebe. Ainda tem auxílio-moradia de R$4.253, 00, uma cota – o chamado “cotão” de R$101.900, 00 reais para contratar até 25 funcionários, além de despesas com alimentação, locação de veículo, divulgação de ações do mandato e eventuais gastos com médico.

Se juntar todos esses benefícios, o custo médio de um deputado federal é em torno de R$180 mil reais por mês. Ou seja, na hora do voto, nos quatro números e foto escolhida do candidato, o eleitor vai “bancar” com dinheiro dos impostos R$180 mil reais para ‘seu’ deputado.

No Paraná, a bancada é composta por 30 deputados e eles têm um custo de R$5,4 milhões de reais por mês para os cofres públicos.  Todos os 513 parlamentares custam em torno de R$91,8 milhões ao cidadão, mês a mês, durante quatro e enriquecedores anos.

O político brasileiro é um dos mais bem pagos do mundo! Em um ranking divulgado recentemente pela revista The Economist, o Brasil ocupa a 5ª posição entre 29 países citados, sendo o 1º na América Latina. E qual tem sido o retorno desses deputados aos seus eleitores? Com a internet e as redes sociais ficou mais fácil fiscalizar e conhecer o trabalho de cada parlamentar que via de regra, pouco produzem em Brasília.

Nesse mandato de muita turbulência no Congresso, de votações polêmicas como a reforma trabalhista e do histórico impeachment da presidente Dilma Rousseff, além de acordos nebulosos para livrar Michel Temer das investigações no STF, os deputados ficaram em evidência. Seus posicionamentos também.

E quando muitos vieram a público para que apresentassem os votos, em transmissão ao vivo na TV, os próprios eleitores desses, ou grande parte, se envergonharam de seus discursos. “Pelo meu filho, pelo meu marido, pelo papagaio eu voto sim/não”, disseram os parlamentares naquele histórico 17 de abril de 2016, durante a votação pelo afastamento da presidente.

Muitos eleitores viram, que além do discurso tosco, baixa produção de projetos, dos poucos repasses às cidades e de inúmeros problemas judiciais que os deputados estão envolvidos – dos 513 parlamentares, 289 já foram condenados ou respondiam a processos na Justiça em 2016 – os representantes do povo no parlamento brasileiro no fundo, não representam o povo trabalhador brasileiro. A sensação que fica é que um novo Congresso precisa ser formado em outubro de 2018. Caso contrário, esses que detém o poder ou os filhos destes que vão pregar “renovação” vão continuar com o cheque em branco na mão para fazer o que bem entendem.

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